terça-feira, 17 de maio de 2011


 
QUEM VEM COM TUDO NÃO CANSA! 

Rumo ao 52º CONUNE e 10º CONUEE

 Entre os dias 23 e 26 de junho, em Piracicaba, ocorrerá o 10º congresso da União Estadual dos Estudantes de São Paulo. E entre os dias 13 e 17 de julho, o 52º Congresso da União Estadual dos Estudantes em Goiânia. Nós da chapa “Quem vem com tudo não cansa” apresentamos neste documento, as propostas e a linha política que nossos candidatos a delegados defenderão, se eleitos, nesses espaços.


 Que galera é essa?

 O movimento estudantil brasileiro precisa se repensar, propor novas formas de atuação e maneiras de agregar cada vez mais pessoas às suas lutas e bandeiras
Queremos um movimento estudantil combativo, mas também um movimento estudantil que inove nas formas de intervenção.
Queremos um movimento estudantil que lute por suas bandeiras, mas queremos também que os estudantes como um todo tenham um papel protagonista na construção dessas bandeiras.
Acreditamos que as entidades estudantis devem buscar fazer parte do cotidiano do estudante, visando atingir e mobilizar cada vez mais a juventude brasileira em torno das lutas democráticas.
Por uma nova cultura política na nossa Universidade é que nos emergimos.
Somos contra o vanguardismo arrogante daqueles que se colocam como portadores únicos da verdade. Ao invés disso, nos apresentamos como uma alternativa a esse modelo, que não condiz com a conjuntura em que vivemos, propomos uma atuação com os estudantes, e não para os estudantes.
Junto com todos os estudantes, queremos construir um movimento à altura de suas demandas, respeitando as pautas setoriais dos cursos, fazendo debates sérios a respeito do ensino, da pesquisa, da extensão, do acesso, da permanência… enfim, suas verdadeiras e genuínas pautas.
Somos um grupo dos estudantes que se propõe a atuar com e não para os estudantes. Sem medo de ousar e construir. Afinal, quem vem com tudo não cansa!

Quem foi Honestino Guimarães? 
 
Na foto que abre nosso material, e nessa ao lado, está Honestino Guimarães. Estudante brasileiro de Geologia na UNB. Ele foi presidente da União Nacional dos Estudantes de 1969 a 1973. Foi assassinado pela ditadura militar em outubro de 73.

Como andam as coisas na USP...


A USP sofre um processo de desmonte, resultado do descaso do Governo Estadual com as políticas educacionais. A histórica reivindicação do aumento da parcelo do ICMS destinada à nossa universidade, de 9,75% para 10,2%, foi reiteradamente vetada pelos governadores tucanos.
Soma-se a esse cenário a nomeação de João Grandino Rodas como Reitor. Cabe lembrar, antes de tudo, que Rodas nunca foi um nome majoritário na USP. Segundo mais votado, foi escolhido pelo governador José Serra como Reitor da nossa Universidade, sendo incumbido de continuar a implementação das políticas tucanas na USP. Desde o começo de sua nomeação a comunidade acadêmica organizada já tinha maus presságios. A confirmação veio no final de 2010, com o início da perseguição política de diversos estudantes que haviam participado da ocupação da Reitoria em 2007.
A partir de um discurso de modernização da Universidade, Rodas vira a USP de cabeça para baixo. As políticas de redução de vagas e de investimentos milionários em prédios como o “Centro de Convenções” vão na contramão de uma bem-sucedida política para o Ensino Superior implementada nacionalmente, com o aumento de recursos para a Assistência e Permanência estudantil e com a democratização do acesso ao ensino superior, com a criação de novas vagas nas Universidades Federais.
Cabe lembrar que, mesmo tendo aumentado há pouco tempo o salário dos funcionários, tal gesto apenas vem em repetição ao aumento dado aos professores no início do ano passado, amplamente criticado à época pela quebra da isonomia conferida à categoria docente e não docente.
Rodas tem um perfil autoritário e toma ações descaradamente atentatórias ao caráter Público da Universidade. Seja pelas perseguições que leva a cabo (a Faculdade de Direito, por exemplo, tem até hoje detida na Coordenadoria de Espaço Físico a verba necessária à reforma da biblioteca que o próprio Rodas pôs em risco, ao transferi-la para outro prédio de forma atabalhoada), pela ausência completa de diálogo com a comunidade acadêmica na tomada de decisões, na flagrante exploração dos trabalhadores terceirizados, hoje em greve, e no surgimento, de cursos pagos promovidos por Fundações ditas “de apoio” dentro da Universidade Pública; Rodas demonstra que seu projeto para a USP é um projeto não de modernização, mas de precarização e privatização.
Comprometido com o projeto PSDBista para o Ensino Superior, Rodas escancara a USP à iniciativa privada, argumentando a falta de recursos públicos. Recursos públicos estes historicamente negados à Universidade pelo mesmo partido que colocou Rodas à frente da Reitoria! Sendo difícil acreditar que o Reitor desconheça tal fato, nada mais podemos supor do que a má fé de Rodas, que se utiliza da situação precária do Ensino Superior causada por seus próprios correligionários para lotear e vender a USP à iniciativa privada, seja pela destinação de pesquisas aos interesses do Mercado ou pelo fechamento de cursos ditos “de baixa demanda” - cursos como Obstetrícia, fundamentais num país onde a falta de cuidado especializado para com a saúde da mulher vitima por ano mais de 1500 mulheres, por complicações na hora do parto.
O Movimento Estudantil Uspiano, apesar de algumas vitórias históricas, se revela cheio de vícios. As pautas são defendidas de maneira reativa e fragmentada por supostas vanguardas que, sem capilaridade, não conseguem envolver a coletividade dos estudantes, nem propor concretamente alternativas ao modelo posto de Ensino Superior. Infelizmente, não se tem um paradigma claro da Universidade que se quer.
Critica-se a estrutura de poder, mas não é efetivamente articulada uma proposta democrática com professores e funcionários. Critica-se a Univesp, mas não se pauta efetivamente o aumento de vagas. Critica-se o número reduzido de campi, mas as lutas do ME mal chegam às faculdades do interior, muito menos se elabora uma interiorização da USP. Critica-se a ausência de políticas de permanência estudantil, mas questões como creches, bolsas de estudo e transporte entre unidades pouco são tocadas. Critica-se abstratamente o modelo de ensino, mas a extensão universitária continua marginalizada e pouco discutida nos fóruns da política dos estudantes, nem se exige o seu reconhecimento enquanto crédito (como já ocorre em uma série de universidades federais).
Um exemplo marcante da falta de lastro propositivo é na luta por aumento de verbas. Enquanto o Brasil comemora a descoberta do Pré-Sal e já se planeja o investimento dos dividendos dessa riqueza, o ME uspiano parece ignorar as possibilidades de salto qualitativo na educação.

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